A tia velhota telefona a dar as últimas notícias da zona onde nascemos e crescemos. Entre casamentos, separações e nascimentos, lá nos põe a par da necrologia, qual Diário de Notícias. "Lembras-te do filho do M., da tua idade e que andou contigo na escola?". Se me lembro, tia, um fulano a quem eu tinha um ódio de morte quando andava na escola... Aquele que quando eu andava no 6º ano me fez sair do balneário depois da aula de Educação Física em cuecas pois decidiu tirar-me as calças e os calções e colocá-los nas tabelas de basquetebol só para impressionar a rapariga mais gira da turma? Ou o mesmo que só por eu usar óculos se juntou com um grupo de gajos mais velhos e decidiu agrafar-me pela camisola num dos quadros de cortiça na parede da sala de aula? Ou ainda o que cortava todos os meus trabalhos expostos com um x-acto? Ou o mesmo que com um grupo de repetentes infernizava a vida de todos os miúdos com óculos, aparelho ou mais "gordinhos"? "Morreu coitado, enforcou-se!". Que pena que morreu. E não me deu tempo de o encontrar e lhe dar dois pares de murros.